terça-feira, 13 de outubro de 2015

O esperado primeiro encontro

Saudações, nobres narnianos. Como dito no capítulo anterior, hoje eu tive um primeiro encontro com um garoto. E foi basicamente o dia em que eu quis que Aslam destruísse o universo.

Vamos começar do começo, obviamente. Quem lembra que meu pai disse que haveria condições para que eu fosse ao cinema levante a mão direita. Hm... agora comentem que levantaram a mão direita, porque daqui eu não posso ver...

Quem lembra? Eu não lembrava. Mas não se preocupem, meu pai fez questão de me lembrar às sete da manhã. E hoje era feriado. Todo narniano sabe que deveria ser crime punível de morte acordar alguém aos berros às sete da manhã de um feriado. Na verdade, nem precisa ser narniano para saber disso. Aslam devia punir as pessoas que fazem isso com um dia de experiência de Rabadash, o Ridículo. Burros não enchem o saco de manhã cedo.

Mas, é claro, esta narniana queria ir ao cinema. E a primeira tarefa do dia foi limpar toda a cozinha de alto a baixo. Eu falo sério, eu tive que tirar teias de aranha de trás dos armários embutidos no teto. Eu nem sabia que era possível uma aranha fazer teias ali. E como nada passava naquele vãozinho, teve que ser com escova de dentes. Mas esta narniana queria ir ao cinema.

A próxima tarefa agradável como um coice de mula foi limpar o guarda roupas da minha mãe. Acho que ali tinham roupas de quando Digory Kirke mudou-se para Londres! Cara, é sério, em um par de botas embolorado lá do fundo do armário, tinha uma etiqueta dentro que dizia "propriedade de Judas". Mas, eu limpei tudo sem reclamar, pois esta narniana queria ir ao cinema.

E assim, o dia passou, e eu lavei o carro, podei algumas árvores, limpei alguns quartos, separei documentos, encontrei um ratinho de pelúcia que eu achei que tinha perdido aos 9 anos...

Mas teve uma hora que a paciência desta narniana aqui estava se esgotando. Aquilo já era muita sacanagem. Eu já tinha limpado a casa toda, e meu pai não me deixava em paz para me arrumar, e me mandava mais e mais tarefas idiotas. Até tirar a lama dos pneus da bicicleta dele eu tive que tirar. Eu estava tão triste e tão frustrada que teve uma hora que eu simplesmente larguei tudo o que estava fazendo e fui tomar banho, para não ter que chorar de raiva na frente dele.

Eu me arrumei, me vesti, me aprontei. Meu pai me levou de carro até o cinema, mas eu acho que teria sido melhor ir de ônibus. Ia levar mais tempo, mas pelo menos não teria que escutar ele no meu ouvido falando mal do meu pobre narniano.

Eu já estava muito triste, e quando cheguei no cinema, adivinha? O narniano não estava lá. Eu quase tive um infarto. Nossa, meu pai aproveitou a situação para encher meus ouvidos com mais besteiras. O horário do filme foi chegando... chegando... e nada dele aparecer. Eu já estava de saco cheio, me segurando para não mandar meu pai ir abraçar Tash, e então eu decidi tomar uma atitude: peguei meu ingresso e entrei no cinema.

Eu estava me sentindo tão mal! Chorei durante o primeiro trailer, acho que foi do... sei lá, nem lembro. Mas eu chorei só um pouquinho, sou muito casca grossa, e só chorei porque estava escuro e todo mundo tava com seus óculos 3D, ninguém ia sequer reparar que eu estava ali, que dirá que estava chorando porque meu pai estava sendo um idiota.

No último trailer, adivinha quem chegou? Isso mesmo, meu querido narniano. Eu fiquei tão aliviada quando vi ele! Ele chegou todo triste, dizendo que ele ficou preso no engarrafamento, e que estava se sentindo muito mal por me deixar sozinha ali. Eu estava tão nervosa, que comecei a rir. Exatamente, rir. Como uma retardada. "Você está rindo de mim?" Ele perguntou. Eu olhei para ele "estou rindo porque você pisou no meu pé!" Aí ele sentou do meu lado, e começou a rir também. Foi bom ouvir a risada dele, me acalmou. Muito, até.

Acho que não mencionei, mas a gente assistiu Peter Pan. Entramos em um concenso, na verdade. Hotel Transylvania ele já tinha assistido, e nem eu nem ele assistimos Mazer Runner, então nem rolava assistir o 2, aí, só sobrou o Pan. E foi um filme fantástico, roteiro bem escrito, adorei os efeitos especiais. E Hugh Jackman cantando rock, aquilo foi épico.

Mas voltando ao encontro, meu narniano foi um fofo. A primeira coisa que ele tentou foi colocar o braço por sobre meus ombros, mas como a poltrona é alta, ele acabou desistindo e nós dois caímos na risada. Depois, a segunda tentativa foi segurar minha mão, mas mais uma vez, a poltrona não permitiu. Na verdade, eu só escutei um baque surdo, e depois ele reclamando que bateu a mão no braço na poltrona. E nós rimos disso também. Como eu vi que ele não estava conseguindo nada do que tentava, tentei dar uma ajudinha pra ele. Eu ainda não consigo acreditar que fiz isso, por favor não me julguem nem me matem. Eu-encostei-minha-cabeça-no-ombro-dele. Pronto, falei. Ele, naturalmente, olhou para mim, surpreso. Não sei se era porque eu estava tomando a iniciativa, ou se foi porque ele realmente não esperava, mas ele estava surpreso. Então, eu vi ele sorrir, e senti ele encostar a sua cabeça na minha. Aquilo foi um sonho! Achei que estava sonhando quando ele fez isso! Passamos a maior parte do filme assim.

Foi maravilhoso. Simplesmente. Ele me deixou na frente de casa, e disse que adorou ter ido assistir o filme comigo. Estava tudo muito perfeito, aíííí meu celular tocou. Por que você não esperou eu ir te buscar no cinema?! Eu não podia acreditar que o meu pai estava brigando comigo. Denovo. O narniano ainda estava ali, e ficou me olhando, assustado, porque meu celular é alto e ele meio que ouviu a maior parte das besteiras que meu pai disse. Eu só desliguei o telefone, dei boa noite pro narniano e entrei em casa. Eu nunca, nunca, nun-ca fiquei tão magoada com meu pai em toda a minha vida. E ele ainda chegou em casa, brigou um monte comigo, e me proibiu de ver meu narniano novamente. Eu estou muito magoada com ele, muito mesmo.

Depois, quando eu fui dormir, olhei no meu celular. Ele tinha me mandado uma mensagem.
Não importa o que o seu pai te disse. Eu adorei sair com você.
E daí essa narniana aqui pirou completamente. COM-PLE-TA-MEN-TE.

Enfim, lembranças de uma Blogueira Narniana

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